Rap + quadrinhos
Conheça o projeto que uniu os super-heróis dos quadrinhos com os maiores rappers do Brasil
Rap + Quadrinhos
Conheça o projeto que uniu os super-heróis dos quadrinhos com os maiores rappers do Brasil

Após o grande sucesso da primeira temporada, o projeto Rap em Quadrinhos ganhou até uma exposição, e agora iniciou a segunda temporada de artes apresentando rappers em versões baseadas em heróis dos quadrinhos.

O Êxodo entrevistou a dupla criativa do projeto, o desenhista da Mauricio de Sousa Produções, Wagner Loud e, o youtuber, LØAD, falando um pouco do projeto, suas ideias e visões.

O projeto Rap em Quadrinhos alcançou um sucesso muito grande na internet, e agora até fora das telas através da exposição. Qual a importância que vocês veem nesse projeto?

LØAD: A representatividade de duas mídias que de alguma forma sempre foi marginalizada, conseguimos mesclar as duas e ver uma galera admirando e reconhecendo a importância de ambas, fora as crianças que já tinham MC’s como Brown de referência e agora tem o Pantera Negra também, o projeto abriu uma nova porta e que deixou muitos felizes!

LOUD: Ver o projeto tomando proporções maiores do que o nosso divertimento é muito maluco. A gente não imaginava que a galera ia gostar nesse nível. É importante chegar nas pessoas, seja pelo celular ou fisicamente em alguma exposição. Estamos animados e queremos continuar levando pra muitos lugares ainda.

Como foi a escolha dos artistas e dos personagens?

LØAD: Eu me baseio muito na personalidade de cada artista ou alguma linha incomum entre eles, aí trocamos ideia eu e o Loud e chegamos a um ponto e começamos a construir os personagens.

LOUD: Eu e o Løad sempre conversamos e traçamos os paralelos dos artistas e dos personagens que faríamos. E são artistas que gostamos e escutamos, então fica tudo mais fácil.

É perceptível que o público reagiu muito bem com esse projeto, mas como foi a recepção dos artistas?

LØAD: Todos os artistas adoraram, foi uma parada muito foda de ver, muitos deles já estavam até ansiosos para suas versões, o Rap é isso né mano? Ele colhe geral e sentimos isso com os artistas que acolheram nossas artes e elogiaram e se sentiram representados!

LOUD: Também foi muito bem! Acredito que como é uma homenagem e algo que o Rap BR ainda não tinha visto, todo mundo gostou. E isso só deu mais fôlego pra gente continuar.

Quais foram as dificuldades na produção do projeto? Algum artista foi mais difícil?

LØAD: Bom, acho que essa é boa pro Loud, porque as ligações pra eu fazer são de boas, mas creio que pega mesmo na hora de desenhar [risos].

LOUD: Alguns são mais difíceis de fazer… Chegar num layout bom para a arte, fazer o mais parecido possível com o artistas, isso é normal, mas acho que o mais difícil foi desenhar a Karol Conka e o KL Jay. A Karol porque chegar numa pose boa e pegar as feições dela foi complicado e o KL porque tem muito detalhe na ilustração.

Todas as artes do Rap em Quadrinhos estão excelentes. Vocês tem alguma arte preferida?

LØAD: As minhas preferidas são a do Black Alien e a do Sabotage. São as que mais pirei e mais curti até o momento. Gosto de todas, mas essas foram horas conversando e decidindo.

LOUD: A do Black Alien para mim é a preferida, sem dúvida. Gosto muito da arte do Mano Brown também e a do Kamau.

Em conversa com Sidney Gusman, editor da Mauricio de Sousa Produções, ele me contou que um de vocês, o Loud, chegou a falar com ele pedindo sugestões de heróis negros. Como vocês veem a representatividade negra no quadrinho internacional e nacional?

LØAD: Então, temos poucos conhecidos que chegam no grande público, o projeto de início iria ser mais voltado para heróis negros, mas vimos como seria difícil achar muitos aí acabamos mudando essa ideia e mudando a etnia de alguns que nos quadrinhos são brancos, o legal foi ver que a galera nem estranhou.

LOUD: O Sidão me mostrou alguns que eu nunca vi na vida, fiquei realmente impressionado como tem alguns heróis que a gente não conhece e os autores não usam.

Chegar à essa discussão com nosso projeto foi um lado muito importante pra gente, por que mostrar o quão carente a sociedade é de representatividade seja de cor, sexo,etc… O fator principal é mudar pequenos preconceitos e diretrizes patriarcais e religiosas que infeccionaram nossa sociedade por muito tempo. Tentar igualar ao máximo, levar o debate pra frente e não aceitar nenhum tipo de preconceito, por menor que seja. Acredito que em algum momento os heróis negros, as heroínas serão mais difundidos e a gente vai poder conhecer melhor eles.

Onde será a próxima exposição do Rap em Quadrinhos? E como podemos acompanhar os próximos trabalhos de vocês?

LOUD: Continuar acompanhando a gente no Instagram (@loadcomics e @w.loud) e no Twitter (@LoadComics e @LoudWagner) de cada um, estamos sempre falando dos eventos e a segunda parte do projeto vamos postar tudo lá.

Imagem: Rap em Quadrinhos (@loadcomics e @w.loud)

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GUSTAVO NOGUEIRA

estudante de jornalismo, formado em cinema na lafilm institute, autor do livro "quadro a quadro". além do êxodo, é colaborador do universo hq.

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