QUANDO ÉRAMOS REIS
“Dizem que o diabo veio nos barcos dos europeus, desde então o povo esqueceu que entre os meus, todo mundo era Deus”
QUANDO ÉRAMOS REIS
“Dizem que o diabo veio nos barcos dos europeus, desde então o povo esqueceu que entre os meus, todo mundo era Deus”

Assim termina o segundo verso da música “Mufete”, do Emicida. E antes de explicar o motivo de cita-la, vale ressaltar algumas informações sobre o álbum que carrega esta música: Emicida viajou para o continente africano, passando por Angola, Moçambique e Cabo verde, trazendo referências africanas para suas músicas, tanto nas batidas quanto na lírica.

Dito isso, vamos à história: fomos escravizados, e não escravos. “Mas o que éramos antes disso tudo? De onde viemos, já que o continente africano é tão vasto? Quem foram nossos ancestrais?”. Algumas dessas grandes questões que a diáspora africana carrega, tem explicações em 1890, quando Ruy Barbosa, Ministro da Fazenda no Brasil, ordena por meio de um despacho, a destruição de documentos referentes à escravidão. 

Com isso, apagando todo o registro que poderíamos ter de nossos ancestrais, deixando toda nossa identidade destruída. Vale ressaltar, também, outro episódio da época: a Árvore do esquecimento, localizado em Benin. Em torno dessa Árvore, os escravos que eram trazidos da Nigéria, e passavam por Benin, deviam dar nove voltas, as escravas, sete, para que esquecessem de suas terras, de suas lembranças geográficas e de sua identidade cultural. Uma lástima para o povo afro.

Voltando ao título do texto, éramos reis, sim, também poderosos, basta olhar o exemplo de resistência do Rei Mandume, homenageado por Emicida, no mesmo álbum de Mufete. Mandume foi o último rei do povo Cuanhamas, localizado na Namíbia. Em seu reinado, expulsou comerciantes portugueses, travando batalhas contra portugueses e alemães. Acabou por vencido pelos alemães e de acordo com a tradição, Mandume preferiu se suicidar ao se render.

Mas, não só de batalhas e resistências viveram os reis africanos. Por exemplo, o Rei Mansa Musa, é considerado o homem mais rico da história, superando até mesmo o Imperador Augusto César. Em uma lista da Time de 2015, o Imperador Augusto César aparece em segundo lugar com US$ 4,6 trilhões, enquanto a fortuna do Rei Mansa é considerada inestimável. Seu reinado foi durante o século 14, no território de Mali, este destacado por grandes riquezas naturais, Mansa era o maior produtor de ouro no mundo.

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Dennis Cunha

Paulistano, estudante de Direito, amante da cultura hip-hop e metido a escritor.

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