Pray for Me
Pray for Me

O início de ano tem sido intenso. Famílias, sonhos, referências musicais, jornalísticas e artísticas morreram. Continuar um simples texto se torna difícil.

Em meio a esse turbilhão, a playlist que ouço é a trilha sonora de Pantera Negra, produzida por Kendrick Lamar. A trilha sonora que iniciei a ouvi-la devido ao aquecimento do Oscar ganhou novo significado nesses tempos tenebrosos.

Uma canção em específico entrou em loop em meus ouvidos, a música “Pray for me”, de Kendrick Lamar e The Weeknd. O refrão diz:

Who gon’ pray for me? (Quem vai orar por mim?)

Take my pain for me? (Levar minha dor embora por mim?)

Save my soul for me? (Salvar minha alma por mim?)

‘Cause I’m alone, you see (Porque eu estou sozinho, você sabe)

O caos gera orações, seja no mais simples “Meu Deus, por que?” a orações extensas e com dor.

Ao falar sobre as tristezas coletivas deste início de ano, grandes desastres noticiados a todo momento nas diversas mídias devem ter vindo a sua mente, mas e o desastre diário? Por que a oração e a dor só vem para mares de lama e incêndios catastróficos, mas não para a morte diária e a dor alheia?

Por que os assassinatos de negros e mulheres que sobem a cada nova pesquisa não causa torpor e declarações como as vistas de desastres, com análise de causa e a busca para cessar em definitivo essa destruição?

O embate aqui tratado pode ser visto como uma carta aberta ao amor e a compaixão. Não a uma hierarquia de dores. Lembrar o slogan riquíssimo de que Vidas Negras Importam (Black Lives Matter).

A quem vai sua oração, seu amor? Que no futuro, possamos ouvir Pray for Me e as vozes do refrão diminuam e então cessem não tendo mais quem clamar pelo fim de sua dor e seu medo.

Este texto é dedicado a Pedro Gonzaga, assassinado no supermercado Extra

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Gustavo Nogueira

estudante de jornalismo, formado em cinema na lafilm institute, autor do livro "quadro a quadro". além do êxodo, é colaborador do universo hq.

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