Menos uma voz nas sombras
À Poitier, Com Carinho
Menos uma voz nas sombras
À Poitier, Com Carinho

13 de abril de 1964.

Até aquele dia nenhum ator negro havia ganhado um Oscar. E então Sidney Poitier é premiado pelo filme “Uma Voz nas Sombras”.

Poitier é colocado em diversos locais como “o homem que desafiou o racismo” ou coisas parecidas. É interessante ver os detalhes do que veem nele como alguém que afrontou as pessoas.

Um de seus atos polêmicos à época foi beijar no rosto a apresentadora que lhe entregou o prêmio de Melhor Ator…

Em seu discurso, Poitier diz uma frase simples, mas forte: “Foi uma longa jornada até este momento.”

É importante ressaltar que o Oscar foi criado em 1927. Estamos falando de 37 anos sem nenhum ator negro ganhar um Oscar, uma longuíssima jornada.

Mas trazendo um ar com um pouco de Milton Neves e seu quadro clássico “Que Fim Levou?”, onde se chegou após essa longa jornada?

Poitier protagonizou grandes filmes, como “No Calor da Noite” e “Adivinhe Quem Vem para o Jantar”. No Brasil, somente um teve mais destaque, o filme “Ao Mestre, Com Carinho” se tornando um grande clássico e tornando o ator conhecido nas terras brasileiras.

A filmografia é, em grande parte, baseada na temática do racismo. Nas tramas, Poitier é vítima de racismo pela namorada, sogros, alunos, vizinhos ou qualquer outra pessoa.

O talento de Poitier e sua resiliência traziam algo novo a cada filme, mesmo com a infeliz pouca criatividade que os diretores e roteiristas tinham em seus histórias. Sidney Poitier com seu olhar firme marcou a história do cinema e da sociedade.

E ao cinema, que fim levou o impacto de Poitier? De 1964 vamos viajar para 2002, 38 anos depois. Somente em 2002, ano em que Sidney Poitier se aposenta e é homenageado pelo Oscar, um segundo ator negro ganha um Oscar de Melhor Ator, Denzel Washington, pelo filme “Dia de Treinamento”.

Uma longa jornada.

Mesmo com a falta de reconhecimento no passado e atualmente, o movimento #OscarSoWhite comprova a necessidade latente de reconhecimento, o marco de Poitier é gigante, e mais do que contar a história desse grande ator e da péssima relação do Oscar com os negros, o convite especial que fica é ir atrás de um filme desse ator gigante que antes como uma voz nas sombras, se tornou uma voz sob o holofote e que puxou para que mais negros pudessem sair das sombras.

Viva, Sidney Poitier!

*Sidney Poitier está atualmente com 92 anos e vive Cat Island, nas Bahamas.

Imagem: Sidney Poitier, Site Biography

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Gustavo Nogueira

estudante de jornalismo, formado em cinema na lafilm institute, autor do livro "quadro a quadro". além do êxodo, é colaborador do universo hq.

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