Mangueira corrige a história
Mangueira corrige a história

Com 270 pontos, a Mangueira é a campeã do desfile de escolas de samba do Rio de Janeiro.

Marcada por um samba-enredo nomeado “História para ninar gente grande”. E é necessário falar do quanto foi importante a apresentação da escola neste ano.

“Brasil, meu dengo

A Mangueira chegou

Com versos que o livro apagou

Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento

Tem sangue retinto pisado

Atrás do herói emoldurado

Mulheres, tamoios, mulatos

Eu quero um país que não está no retrato”

O trecho do samba deixa clara a intenção de corrigir a história deturpada pelo ponto de vista europeu, ignorada por livros de histórias, e, lembrando ainda, que os heróis brasileiros são outros, os heróis são as vítimas.

“Salve os caboclos de julho

Quem foi de aço nos anos de chumbo

Brasil chegou a vez

De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês”

Vale destacar aqui a homenagem para lembrar os soldados que lutaram nas Guerras de Independência do Brasil, comemoração essa que tem sua memória preservada pela Bahia. A figura dos Caboclos é uma representação dos índios, negros escravizados ou libertos, e os voluntários que se uniram as tropas na Bahia em 1824.

E agora, com uma sociedade cada vez mais plural, com mulheres lutando por espaço, respeito e igualdade, denunciando cada vez mais os efeitos do machismo, já passou da hora de serem voz e serem colocadas em maiores patamares. O exemplo recente, mas de uma infeliz tragédia e injustiça, e mesmo assim, presente, Marielle Franco.

Não foram somente essas as homenagens, Nelson Sargento, baluarte da música brasileira, aos 94 anos representou Zumbi dos Palmares no desfile, ao lado de Alcione, que dispensa comentários pela sua excelência também, representou Dandara dos Palmares, tão importante quanto o primeiro, uma guerreira que não pode mais ser esquecida.

E não só de homenagens fez-se o desfile da Mangueira, como também críticas aos Bandeirantes, à Igreja que foi determinante no mesmo período e à ditadura militar.

E antes de terminar, um dos símbolos mais bonitos do desfile foi uma bandeira do Brasil, com as cores da escola, verde e rosa, e substituindo a frase oficial por “Índios, Negros e Pobres”, pessoas que de fato carregam a história e construção Brasil.

A Mangueira corrige e demonstra que a história que não deve ser esquecida.

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