D'Salete, Marcelo D'Salete
D'Salete, Marcelo D'Salete

Caminhando para o final do ano, no último texto trouxe uma análise de uma grandíssima obra lançada esse ano no Brasil, mas para falar sobre quadrinhos importantes desse ano é imprescindível falar sobre Marcelo D’Salete.

Ao decidir falar sobre os fatos e lançamentos importantes do ano, pensava em falar sobre D’Salete mais ao final, para “fechar com chave de ouro”, mas o ouro era tanto que não era possível deixar para o final. D’Salete não é a chave de ouro, é toda a porta para um novo quadrinho e cultura nacional.

Acho muito difícil que você, caro leitor, não saiba quem é o quadrinista Marcelo D’Salete, mas caso ainda não saiba nada, recomendo a curtíssima biografia que fizemos em nosso Instagram. O artista de São Mateus, bairro da periferia da Zona Leste de São Paulo, invadiu todas as mídias a cada nova conquista e, após ganhar o prêmio Eisner pela obra Angola Janga, não havia mais como não falar sobre D’Salete.

O autor possui uma carreira baseada em narrativas sobre a resistência à escravidão e a luta diária contra o racismo. Sim, suas HQs, em grande parte, tratam sobre a luta durante o período escravocrata, mas a maestria do quadrinista traçam o paralelo entre a realidade daquele período atual, mostrando que o conflito não acabou e que a luta continua.

O Eisner é um dos prêmios dos quadrinhos mais importantes do mundo, possuindo respeito mundial. Em 2018, a HQ Cumbe foi premiada como melhor edição americana de material estrangeiro. Não é a primeira vez que um brasileiro ganha um Eisner, mas o gosto de ver D’Salete ganhar esse prêmio é diferente.

A consagração de Marcelo D’Salete representou um marco e uma força para um reavivamento do quadrinho nacional e da importância de falar da história negra. Além do Eisner, o quadrinista foi premiado com o Prêmio Grampo, HQ Mix e o Jabuti, e muitos mais prêmios devem surgir no próximo ano. O jornalista Thiago Borges definiu de forma brilhante o ano do quadrinista como o seu Grand Slam.

O impacto de ver D’Salete neste momento é acreditarmos que é possível contar uma história importante sobre aquilo que muito é esquecido e acreditar que a cultura brasileira pode e será reconhecida.

D’Salete deve ser o nome mais repetido desse ano, para lembrar que 2018 foi o ano do afro no quadrinho brasileiro.

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Gustavo Nogueira

estudante de jornalismo, formado em cinema na lafilm institute, autor do livro "quadro a quadro". além do êxodo, é colaborador do universo hq.

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