A Comic con que vale
A Comic con que vale

O crescimento dos conteúdos chamados de cultura pop (quadrinhos, jogos, cinema…) tem sido intenso no Brasil. A CCXP (Comic Con Experience) possui público cada vez maior e figura entre os maiores eventos de cultura pop do mundo!

Mas onde está a periferia no meio disso tudo? O preço elevado de ingressos, os produtos em grande parte possuem preços elevados e os eventos de quadrinhos são situados em sua maioria nos centros das capitais brasileiras, assim afastando o público periférico.

Com o propósito de democratizar a cultura pop e aproximar da periferia, foi criada a PerifaCon, que terá sua primeira edição no Capão Redondo, bairro periférico de São Paulo.

O Êxodo conversou com os organizadores da PerifaCon sobre esse importante e marcante evento.

Como nasceu a ideia de fazer o PerifaCon?

O PerifaCon nasceu de uma conversa descontraída entre Mateus e Matheus (Naruto), ambos moradores do Capão Redondo. A conversa era sobre eventos de cultura pop, geek e nerd e dentro disso, surgiu a pergunta: por que não há eventos desse tipo na periferia?

Eventos como a CCXP, que é o maior evento desse gênero da América Latina, não é visto pela quebrada. Com essa necessidade, veio a motivação de criar o PerifaCon. Hoje em dia, temos mais cinco organizadores: Andreza Delgado, Gabrielly Oliveira, Igor Nogueira, Luíze Tavares e Pedro Okuyama.

Como veem a relação da periferia com a cultura pop?

A periferia curte e consome a cultura pop. Porém falta a presença dessa cultura na quebrada pois a grande maioria desses eventos são sempre centralizados e nossa ideia é, justamente, trazer essa cultura para dentro das periferias.

Vocês imaginavam que a Perifacon daria tanta repercussão, antes de seu lançamento ela já é notícia em diversos grandes veículos de mídia?

Sinceramente foi uma grande surpresa para todos nós. O que começou sendo apenas uma feira de quadrinhos, cresceu a ponto de termos não só uma área para artistas, como também várias mesas de debate, jogos, presença de artistas, bandas e outras atrações bem bacanas. Vários sites já divulgaram o evento, dentre eles o Universo HQ, Kondzilla, Catraca Livre, Jovem Nerd, entre outros, isso foi bem interessante para nos dar visibilidade.

A seleção de bate-papos e convidados demonstra uma grande curadoria. Como foi esse trabalho e houve alguma dificuldade por ser um evento da periferia?

Sim, houve algumas dificuldades pois somos apenas em sete pessoas e em função das proporções que o evento tomou toda a equipe está muito atarefada. Por parte dos convidados todos foram muito receptivos com o evento – nosso único empecilho é agenda das pessoas que gostaríamos que estivesse no evento.

Em relação a público, como tem sido a recepção?

O feedback que estamos recebendo nas redes sociais vem sendo muito bom. As pessoas estão muito receptivas e apoiam muito a ideia do evento acontecer e de se ter mais edições. Assim como nós, elas estão muito empolgadas com o evento e principalmente, engajadas com a causa.

A importância da PerifaCon é gigantesca, mas qual o principal impacto que vocês veem na Perifacon?

São vários impactos que o PerifaCon causará, mas o principal é trazer e realizar um evento, não só na periferia, mas com a cara da periferia.

Queremos que o público se identifique com os debates, atrações e suas obras. Esperamos mostrar para os convidados que a periferia produz e consome cultura pop, nerd e geek.

Vocês planejam fazer outras edições da PerifaCon? E planejam ir para outras periferias de São Paulo?

Sim, com certeza gostaríamos de fazer outras edições. Esperamos que as pessoas saiam da 1a edição querendo a 2a. Para isso, precisaremos de ajuda financeira através de patrocínio e apoio das pessoas na divulgação para viabilizar uma segunda edição do evento.

Vamos entregar a primeira edição no Capão Redondo no dia 24 de março e a partir disso, pensar na viabilização das próximas edições em outras periferias para que assim a gente consiga descentralizar cada vez mais o acesso à cultura pop, nerd e geek para as periferias.

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Gustavo Nogueira

estudante de jornalismo, formado em cinema na lafilm institute, autor do livro "quadro a quadro". além do êxodo, é colaborador do universo hq.

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